O ALTO CUSTO DA RECUPERAÇÃO DOS NEGÓCIOS

Dois anos se passaram para que a Queiroz Galvão, um dos alvos da Lava Jato, voltasse a receber recursos do BNDES e fechasse novos contratos com clientes, bancos e seguradoras. A pena teria sido maior se a empreiteira não tivesse implantado um sistema capaz de evitar que seus funcionários cometam crimes em nome dos negócios.

Hoje, grandes companhias, como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, ainda aguardam o sinal verde do banco estatal para retomarem o fluxo de desembolsos. O BNDES avalia se os sistemas de controles internos dessas empresas funcionam adequadamente, para não correr risco de calote ou de futuro envolvimento na Lava Jato.

A retomada é lenta. A Siemens viu suas ações chegarem ao fundo do poço em 2008, quando veio a público que ela pagou propina durante anos para ganhar mercado em diversos países. O processo de reabilitação durou uma década, segundo Reynaldo Goto, diretor de compliance da Siemens no Brasil.

“A queda das ações foi grande, até sair o acordo com o Departamento de Justiça dos EUA. Hoje superamos nosso valor de mercado e conseguimos mostrar que a Siemens mudou, que é confiável. Fizemos do limão uma limonada”, disse Goto.

Lava Jato

EXPERIÊNCIA

O sucesso da Siemens, cujo processo de recuperação, além de muito tempo custou cerca de €500 milhões, fez mais de 400 empresas brasileiras buscarem informações sobre a experiência da companhia. “Várias são da Lava Jato. Elas queriam entender como poderiam resolver seus problemas, porque temos mais histórico”, disse Goto.

“Mudamos radicalmente a cultura da empresa”, disse Ana Cristina Freire, diretora de compliance da Queiroz Galvão. “O lema agora é ‘fazemos o que é certo’.”

Em dezembro, o BNDES liberou 40% dos recursos para uma obra de US$ 145 milhões da construtora em Honduras. Esse dinheiro ficou represado desde que a Lava Jato estourou o esquema de corrupção entre as empreiteiras e a Petrobras há três anos.

O banco explicou em notaque as políticas de mitigação de riscos da companhia são confiáveis, mas exigiu termos de compromisso sobre o cumprimento das regras, tanto da empreiteira quanto de Honduras, que contratou os serviços de engenharia.

Hoje, além de ser responsável pelas boas práticas da Queiroz Galvão, Freire se tornou parte da “força de venda” da empresa. “Já estive em mais de 50 reuniões para fechar contratos. Hoje, ninguém senta para negociar sem um compliance.”
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(Fonte Folha de São Paulo)



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