Deloitte pagará multas para encerrar investigação nos EUA e no Brasil

Maquiar laudos de Auditoria é o mesmo que encher de veneno os frascos de remédios.

Essa é mais uma notícia que será enfrentada nos cursos de Compliance, como leading case, pois atinge em cheio uma empresa comprometida com a ética.

IBC é Compliance !

Empresa pagará US$ 8 milhões nos EUA e R$ 5,36 milhões no Brasil. Deloitte foi acusada de emitir falsos relatórios de auditoria da Gol em 2010.

A unidade brasileira da empresa de contabilidade Deloitte pagará uma multa de US$ 8 milhões (mais de R$ 27 milhões) para encerrar investigações na Comissão Pública de Supervisão de Companhias de Contabilidade (PCAOB) – órgão regulador de auditores nos Estados Unidos.

A Deloitte Brasil foi acusada de ter emitido relatórios de auditoria “materialmente falsos” e tentou encobrir os problemas com testemunho falso e arquivos adulterados. A investigação se refere aos balanços financeiros da Gol em 2010, cliente da Deloitte na época.

“A Deloitte Brasil falhou em seu papel de vigilância pública para proteger os interesses dos investidores ao emitir pareceres de auditoria materialmente falsos”, disse Claudius B. Modesti, diretor da PCAOB.

Segundo informou o órgão dos EUA, a empresa admitiu que violou padrões de controle de qualidade e não cooperou com as investigações da PCAOB. Trata-se, de acordo com o órgão, da primeira admissão que o PCAOB obteve de uma empresa global.

Além da multa, também foram anunciadas sanções contra 12 ex-sócios e representantes da empresa por seu papel no esquema. Entre as sanções, está a proibição temporária de aceitar novos trabalhos de auditoria.

 

Multa no Brasil

Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou nesta segunda-feira (5), que foi fechado outro acordo no Brasil, pelo qual a Deloitte pagará multa de R$ 5,36 milhões ao regulador brasileiro. Segundo a CVM, o valor é “suficiente para desestimular a prática de condutas assemelhadas, bem norteando a conduta dos participantes do mercado”.

No acordo firmado com a CVM, a Deloitte reconheceu ter feito “alteração irregular dos papéis de trabalho na auditoria independente das demonstrações financeiras intermediárias e de encerramento do exercício social findo em 31/12/2010 da Gol” e “alteração irregular e indevida de papéis de trabalho na auditoria independente das demonstrações financeiras de encerramento do exercício social findo em 31/12/2010 da TNL (Tele Norte Leste)” – empresa incorporada pela Oi.

 

O que dizem as empresas

Em comunicado, a Deloitte Brasil informou que acordo foi feito para encerrar “questão relacionada à auditoria de 2010 de duas companhias”.

“De acordo com o PCAOB, ex-profissionais da Deloitte Brasil realizaram alteração imprópria de papéis de trabalho e se envolveram em comportamento antiético durante uma inspeção do regulador e posterior investigação desse caso”, disse a empresa.

Segundo a Deloitte, após tais fatos terem sido informados pelo PCAOB, “a nova liderança da Deloitte Brasil tomou medidas imediatas, previamente ao acordo, para retirar os indivíduos da firma e para reforçar a cultura ética na organização”.

“Pelo respeito que a Deloitte Brasil tem pelo mercado brasileiro e pelo papel do regulador local, decidiu revelar o caso à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com a qual também fechou um acordo”, acrescentou.

A Oi citou surpresa sobre a notícia envolvendo a Deloitte, mas afirmou que a empresa não recebeu nenhum questionamento sobre seus balanços auditados pela firma entre 2007 e 2011.

Em comunicado, segundo a Reuters, a Oi afirmou que “não cabe à companhia se manifestar por atividades desta empresa de auditoria independente. A Oi desconhece os termos que levaram ao noticiado acordo da auditoria”.

Já a Gol informou, em comunicado, que não há indício de que a empresa teria sido beneficiada pelas falhas na auditoria. “A Gol destaca que, em consonância com os próprios relatórios, não há qualquer indício de benefício à companhia em decorrência dos itens indicados ou qualquer impacto dos mesmos em suas demonstrações financeiras auditadas arquivadas na CVM e na SEC (Securities and Exchange Comission)”, afirmou.



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